Bill Gates quer reinventar os banheiros com novas tecnologias de saneamento

Bill Gates quer reinventar os banheiros com novas tecnologias. Em evento realizado dia 5 novembro em Pequim, Gates subiu ao palco segurando um pote com fezes humanas. Mas tal apresentação escatológica tem um motivo nobre: o bilionário co-fundador da Microsoft quer revolucionar os sanitários com novas tecnologias de saneamento.

Sua fundação filantrópica — a Bill & Melinda Gates — já gastou mais de US$ 200 milhões em pesquisas nessa área nos últimos sete anos e, no evento, vinte produtos de saneamento com tecnologia de ponta foram exibidos, destinados a destruir bactérias e prevenir doenças. “Eu tenho que dizer que, uma década atrás, eu nunca imaginei que eu saberia tanto sobre fezes”, brincou Gates enquanto falava sobre o assunto que inevitavelmente rende risos como se todos nunca tivéssemos saído da quinta série.

A ideia de Gates é revolucionar a tecnologia de saneamento, separando resíduos líquidos e sólidos fora da rede de esgoto e removendo subprodutos prejudiciais à saúde e ao meio-ambiente ali mesmo. O bilionário descreveu as invenções apresentadas como sendo “os avanços mais significativos em saneamento em quase duzentos anos”.

Ao exibir o frasco de fezes, Gates disse que ali poderia haver “até 200 trilhões de rotavírus, 20 bilhões de bactérias Shigella e 100 mil ovos de vermes parasitas”. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 2,3 bilhões de pessoas em todo o mundo ainda não têm acesso a saneamento básico, e isso acaba causando doenças como cólera, diarreia e tantas outras que matam centenas de milhares de pessoas anualmente.

O filantropo americano destacou os benefícios de um vaso sanitário autossuficiente que transforma o conteúdo expelido. Segundo dados da sua fundação, a esterilização dos resíduos excretados por humanos poderia impedir 500 mil mortes de crianças e economizaria US$ 233 bilhões por ano em gastos com tratamento de diarreia e cólera.

Mais da metade da população mundial não tem banheiros apropriados e isso gera consequências terríveis — que podem ser solucionadas por esse vaso (desde que a tecnologia se torne acessível).

“Nos países ricos, temos esgotos que levam água limpa para dentro, limpam um pouco da água suja e, em quase todos os casos, há uma estação de tratamento. Como temos essas cidades mais novas com muitas pessoas menos abastadas, esses esgotos não foram construídos e, de fato, talvez nunca sejam”, disse Gates, que continuou o raciocínio com uma questão: “seria possível processar o lixo humano sem esse sistema de esgoto?”.

Ele acredita que a resposta esteja justamente nas pesquisas de sua Fundação, e espera que seu banheiro reinventado seja implantado em prédios em que há uma grande concentração de pessoas, como escolas e edifícios de apartamentos, inicialmente, e, quando os custos dessa implantação forem reduzidos, a ideia é que a tecnologia se torne acessível também a residências.

Fonte: BBC – com modificações