Preocupação com o meio ambiente inspira profissionais

Preocupação com o meio ambiente inspira profissionais para usarem material reciclado e madeira de reflorestamento desde as festas mais glamorosas de réveillon até a decoração natalina de bairros da periferia.

O glamour dos réveillons de Maceió tem atraído cada vez mais pessoas de todo o país e, quiçá, no mundo inteiro. Mas a elegância mesmo fica por conta da educação ambiental dos responsáveis pela montagem das festas.

Um dos exemplos é o arquiteto Beto Canavarra, responsável pela montagem do espaço de um dos réveillons que acontecem na cidade: “Eu estou responsável pela montagem do Réveillon Celebration e orientei meus clientes para usarem somente madeira de reflorestamento e paletes. Toda a madeira usada é de eucaliptos”, explicou o arquiteto.

Além da preocupação em usar apenas madeira de reflorestamento, o arquiteto também explicou que todo o lixo será selecionado e o material reciclável será doado para uma cooperativa: “Estamos tendo toda essa preocupação com o descarte do lixo. Será tudo selecionado para causar o menor dano possível ao meio ambiente. Os organizadores inclusive já fizeram parceria com uma cooperativa de reciclagem para doar tudo o que puder ser reaproveitado da festa”, disse Canavarra.

Preocupação com o meio ambiente inspira profissionais

Mas não é só nas festas glamorosas do réveillon de Maceió que os bons exemplos podem ser vistos. A Prefeitura de Maceió, em parceria com as quatro cooperativas de reciclagem da cidade, trabalharam na decoração de Natal dos bairros do Pontal da Barra, Osman Loureiro, Clima Bom, Alto de Ipioca, Jacintinho e Dique Estrada. “Nós montamos seis árvores de Natal nessas localidades e ainda estamos fazendo um trabalho de conscientização com os moradores, porque eles ainda tratam do material reciclado com um pouco de preconceito”, explicou a artista plástica Mirna Porto.

De acordo com a artista, o intuito do trabalho é incentivar o trabalho das cooperativas de reciclagem e o surgimento de novos grupos que realizem o mesmo trabalho. “Claro que o principal objetivo é preservar o meio ambiente. Mas também queremos mostrar para as pessoas como esse trabalho de reciclagem é importante. Como podemos reaproveitar tanta coisa que é jogada no lixo. Nós utilizados cerca de cinco mil CDs para montar a árvore da Rodoviária, no Feitosa. E esse material nem era reciclado pelo pessoal das cooperativas. Conseguimos então um novo destino para esse produto que não fosse o descarte”, conta.

“Também usamos mais de três mil latas de leite para montar a árvore do Papódromo e mais de mil vidros de perfumes na de Ipioca. Ficou linda e perfumada. Nós também temos a preocupação de manter tudo tampado ou coberto com plástico filme para que não acumule água”, continuou.

Mirna acredita que a partir da exposição das árvores e do incentivo para as cooperativas, novos grupos interessados em trabalhar com reciclagem possam surgir em Maceió. “A ideia é mostrar que é possível a gente criar uma nova forma de decoração, já que normalmente só se usam garrafas PET. Usamos materiais alternativos, que muitas vezes nem eram reciclados. Além de tudo valorizamos o trabalho das cooperativas que são muito mais organizadas do que a gente imagina. Eles tem horário de trabalho, usam fardamento e são muito disciplinados. Com isso esperamos que a população passe a ter mais consciência em relação ao descarte de lixo, que juntem os recicláveis e entrem em contato com os catadores para que tudo seja reaproveitado”, concluiu a artista plástica.

Fonte: Tribuna Hoje (com modificações)